Quando nasceu a idéia de produzir um livro sobre o viveiro de mudas de árvores nativas da Apremavi, me pediram para que eu escrevesse um pouco sobre como e por que surgiu este viveiro. Bom, para começar, o nome Jardim das Florestas foi idéia do ambientalista Augusto J. Hoffmann, um plantador de milhares de árvores e colaborador da Apremavi.
Para escrever sobre como iniciou o viveiro, é necessário voltar um pouco no tempo, relembrar algumas histórias, pessoas e fatos. A começar por mim mesmo, nasci em 1959 na Serra do Pitoco, hoje município de Atalanta-SC, numa época em que a luz elétrica e a televisão ainda não haviam chegado naqueles cantos do mundo. A primeira vez que assisti a um programa de televisão foi na Copa do Mundo de 1970, num dos únicos dois aparelhos de TV que havia no município. O sinal da televisão era fraco e víamos mais chuvisco que imagens, ainda em preto e branco, mas o Brasil foi tricampeão do mundo e nós ficamos maravilhados com o futebol e com a TV, que chegaria na casa do meu pai, já a cores, juntamente com a luz elétrica, somente em 1977. Mais tarde também aprenderia que a geração de eletricidade tem lá seus problemas ambientais, mas isso já é uma outra história...
Em 1964, aos cinco anos, plantei minhas primeiras sementes de araucária. Naquele tempo, a cada ano, os colonos da região desmatavam em média de um a dois hectares para fazer roças de coivara. Assim era chamada a roça feita em área de floresta virgem recém-desmatada. Meus pais também estavam fazendo as últimas roças de coivara no terreno deles. Eram as últimas roças, porque os terrenos comprados, em plena mata virgem, no final da década de 1930, tinham em média 25 hectares e as matas estavam chegando ao fim. No terreno do meu pai havia em 1970 apenas três hectares de mata virgem, área que nunca foi cortada porque protegia duas nascentes d’água.
Minha mãe conta que eu ficava muito impressionado com as derrubadas e perguntava com insistência porque eles faziam isso. Eu também reclamava que se eles continuassem derrubando matas desse jeito, quando eu crescesse não haveria mais árvores para meus filhos e netos. Diante de minhas reclamações meu pai resolveu me dar umas sementes de araucária e me ensinou a plantá-las. Eu as plantei com uma enxadinha ao longo de uma cerca, uma ao lado de cada palanque, ao todo umas 100 sementes. Lembro que muitas das sementes germinaram e eu acompanhei, ano a ano, o crescimento dos pinheirinhos.
Vários deles viraram árvores de natal ao longo do tempo. Outros, 30 anos mais tarde, foram cortados e a madeira serviu para construir o galpão do atual viveiro da Apremavi. Hoje ainda existem uns 15 pinheiros daqueles, já bem grandes, produzindo sementes.
É sempre bom lembrar que na década de 1960, para ir à escola nos quatro anos do ensino primário, eu precisava andar a pé cerca de 4 km e, nos 4 anos de ginásio (era assim o nome do ensino fundamental na época), a distância era de 7,8 km (ida e volta 15,6 km), também a pé. Raramente se conseguia uma carona com alguma carroça ou uma caçamba da prefeitura, que na época iniciou a pavimentação das estradas do município.
Já no inverno, nos meses de junho, julho e agosto, muitas vezes com frio abaixo de zero, ir à escola era uma aventura à parte. Quando chovia, o jeito era andar descalço na estrada de terra. Os chinelos “havaianas” ou as “congas” (um tipo de tênis de pano bem simples que os agricultores às vezes conseguiam comprar para os filhos) eram levados dentro da bolsa. Tudo enfrentado com alegria por quem tinha vontade de estudar para mais tarde poder cursar uma faculdade, coisa que até então só uns poucos naquele município haviam feito. Não faz tanto tempo assim, mas nos meus tempos de menino, computador pessoal, internet, telefone celular, eram parte apenas dos filmes de ficção mais ousados.
Naqueles tempos, era comum os agricultores irem para a roça com a enxada ou machado em um dos ombros e a espingarda no outro. Bicho, fosse pássaro ou mamífero, tinha que ser morto, às vezes para comer e outras, porque acreditavam que poderia trazer prejuízos arrancando milho recém-plantado ou pegando algum frango no terreiro. Os meninos desde cedo aprendiam com os pais a lida na roça e também a caçar passarinhos com estilingue e a correr atrás de borboletas. Como não havia TV, nem campo de futebol para a criançada brincar aos domingos, presente de natal e páscoa, não raro, era um estilingue.
Assim se livravam da algazarra dos meninos e, aos domingos, podiam jogar cartas com mais tranquilidade, sem barulho por perto.
Na adolescência, lendo uma revista, descobri que a melhor e mais divertida maneira de “caçar” borboletas e passarinhos era fazê-lo com uma máquina fotográfica. Este foi certamente o momento em que percebi a importância da preservação da natureza, mesmo sem saber que existia um movimento mundial em prol do meio ambiente.
Aos 16 anos, após concluir o ginásio, fui estudar em Rio do Sul, cidade a 50 km de Atalanta, onde havia segundo grau (ensino médio) e faculdade. Trabalhei alguns anos como garçom num bar e numa churrascaria da cidade. Após economizar durante um ano inteiro consegui comprar a primeira máquina fotográfica “Kodak”. Depois disso, à medida que conseguia economizar um dinheirinho, fui comprando outras máquinas fotográficas e também filmadoras melhores. Hoje o resultado disso são milhares de fotos, tiradas nas mais diferentes regiões do Brasil e centenas de horas de imagens gravadas em vídeo, que servem para ilustrar materiais de divulgação e vídeos educativos da Apremavi, do Ministério do Meio Ambiente e outras instituições, quase sempre cedidas gratuitamente.
Era inverno, mês de julho do ano de 1980. Num domingo pela manhã meu pai me convidou para irmos buscar umas mudas de árvores na mata ainda existente no terreno dele. Haviam restado cerca de 3 hectares de mata primária do terreno de 25 hectares, localizado ao pé da Serra do Pitoco, comunidade de Alto Dona Luiza, município de Atalanta, região central de Santa Catarina. Seu Daniel havia chegado na região aos cinco anos de idade em 1938, juntamente com seus pais, seis irmãs e um irmão. Não só assistiu, mas também ajudou a “abrir” as matas da região para agricultura e pastagens.
Apesar de pequena, aquela matinha é hoje um dos poucos remanescentes de Mata Atlântica da região, onde houve pouca interferência humana direta. Ainda podemos encontrar exemplares de cedro, ipê-roxo, figueira, cabeçuda, peroba, gabiroba e muitas outras espécies. Tem também as “duas marias”, dois exemplares gigantes de maria-mole, assim batizados pelo meu pai, por estarem muito próximos um ao outro.
Meu pai, além de agricultor, era marceneiro de profissão, daqueles que conhecia como ninguém os nomes populares das árvores da região, especialmente aquelas que forneciam madeira para construção de casas ou móveis. Naquele domingo aprendi muito sobre a mata e depois de algumas horas voltamos para casa com diversas mudas de cedro, ipê-roxo, peroba, araçá-mulato, guamirim, jacarandá, tanheiro e outras. Essa não era a primeira vez que ele ia buscar mudinhas. No mesmo dia plantamos as mudas ao lado da casa. Hoje, quem visita minha mãe encontra lá um pequeno bosque com estas árvores, algumas com mais de 15 metros de altura.
Comecei a acompanhar o crescimento das mudinhas plantadas e a verificar que nem todas cresciam da forma esperada. Meu pai dizia que muitas delas, apesar dos cuidados, não cresciam, ou quando cresciam, demoravam uns dois ou três anos para iniciar um crescimento desejável. Segundo observações dele, isso ocorria porque as raízes eram danificadas na hora em que eram arrancadas e também em função da mudança de um ambiente com pouca luz no interior da mata, para um ambiente com muita luz e sol direto.
Alguns anos depois, em 1985, fomos novamente buscar umas mudinhas para replantar algumas que ainda não haviam crescido. Na ocasião eu já estava casado com a Miriam, que participou do trabalho. O meu pai nos explicou que ia pegar mudinhas na mata porque não havia nenhum viveiro naquela região que as produzisse. Durante a conversa surgiu a idéia de começar a produzir mudas de árvores nativas, isso poderia diminuir ou acabar com o problema da mudança brusca de ambiente, uma vez que as mudinhas poderiam desde logo crescer em ambientes mais ensolarados e, além disso, ao serem produzidas numa embalagem, as raízes não seriam afetadas no momento do plantio, favorecendo assim o seu crescimento.
Durante o passeio na mata, além de pegar algumas mudinhas, encontramos também algumas sementes. Voltamos para casa com duas dezenas de sementes de cedro, guamirim, gabiroba e araçá. Descobrimos desde logo que coletar sementes não era uma tarefa muito simples. Cada espécie de árvore tem sua época de floração e maturação dos frutos, algumas árvores são altas, outras produzem poucas sementes, outras, ainda, têm frutos que atraem animais que as usam como alimento.
Uma vez coletadas, as sementes precisavam ser plantadas. Nós morávamos numa casa de madeira em Ibirama, cidade a 70 km de Atalanta. A casa tinha um quintal minúsculo. No mesmo dia, ainda em Atalanta, recolhemos um pouco de terra e levamos no fusquinha para Ibirama. Na época eu já trabalhava no Banco do Brasil em Ibirama e a Miriam era professora naquela cidade. À noite, procuramos garrafas plásticas, saquinhos de leite e outros recipientes e os transformamos em embalagens para as primeiras vinte sementinhas. Acomodamos as embalagens num cantinho do quintal, no fundo de casa e a cada dia monitoramos a germinação. Das vinte sementes, nasceram dezoito mudinhas. Com essas primeiras sementinhas, foi também plantada a semente do Viveiro Jardim das Florestas, que uns sete anos mais tarde, seria transferido para Atalanta.
Na década de 1980 foram devastados, por madeireiros da região, os 14 mil hectares da Terra Indígena Ibirama no atual município de José Boiteux. Acompanhamos de perto esse crime ambiental, que as autoridades assistiram sem nenhuma providência efetiva. Pior, diversos prefeitos e vereadores da época eram madeireiros e participaram deste verdadeiro massacre da floresta.
Indignados com essa devastação, no ano de 1986 iniciamos um movimento para criar uma organização ambientalista em Ibirama. Primeiro, com a ajuda do Philipp Stumpe (sócio fundador e primeiro Secretário da Apremavi) e do Orival Gral (sócio fundador e primeiro Tesoureiro da Apremavi), elaboramos um manifesto denunciando a destruição da reserva indígena e depois convidamos amigos e conhecidos, umas 200 pessoas, para fazerem parte dessa empreitada. Finalmente, no dia 09 de julho de 1987, um grupo de 20 pessoas se reuniu no Colégio Hamonia em Ibirama e 19 delas aceitaram o desafio de criar uma associação de defesa do meio ambiente, assinando então a ata de fundação da Apremavi. Atualmente a Apremavi têm mais de 300 sócios.
Quando a Apremavi foi criada, o viveiro, ainda caseiro, já dava seus primeiros passos. A cada dia, mais e mais mudinhas eram produzidas e já começava a faltar lugar para acomodá-las no quintal de casa. Diversas crianças da vizinhança curiosas e voluntárias começaram a ajudar no enchimento das embalagens e no plantio das sementes. Passados uns dois anos, o viveiro já atingia a marca de mil mudinhas produzidas. No dia 05 de junho de 1987, algumas mudinhas foram plantadas na praça em frente ao Banco do Brasil de Ibirama e hoje essas árvores fornecem sombra para quem senta lá para descansar.
A Apremavi também dava seus primeiros passos, sempre procurando fazer educação ambiental, criticando as políticas públicas inadequadas e denunciando os agressores do meio ambiente e, ao mesmo tempo, demonstrando que era possível fazer as coisas de forma diferente.
Nessa luta para “mudar o mundo”, ou pelo menos uma partezinha dele, um dia fomos perguntar a um madeireiro se ele não poderia nos fornecer sementes de canela preta e canela sassafrás. Para nossa surpresa, a resposta dele veio em forma de outra pergunta: “E sassafrás dá semente?” Nada mal a ignorância do distinto senhor de uns 70 anos, que passara pelo menos uns 60 cortando árvores de canela sassafrás, canela preta, cedro, peroba, louro, entre outras espécies. Com isso construíra sua “fortuna” particular e ajudara a “desenvolver” a região, sem, no entanto, deixar muitas perspectivas para as gerações futuras, inclusive seus próprios filhos e netos!
Para quem não sabe, essas espécies de árvores dão sementes, muitas sementes, e elas são quase do tamanho de uma azeitona.
Essa inesperada resposta em forma de pergunta nos trouxe uma lição: a nossa tarefa para mudar a forma de utilizar a floresta e tratar o meio ambiente se mostrava muito mais complicada do que havíamos imaginado. Naquela época, assim como hoje, nem tudo o que é ambientalmente correto era aceito pelas pessoas porque muitas vezes o meio de vida delas dependia exatamente da forma como utilizavam, insustentavelmente, os recursos naturais e tratavam o meio ambiente.
A respeito das sementes tivemos que iniciar um aprendizado sobre épocas de floração e frutificação, formas de coleta e armazenamento e também sobre o processo de semeadura e replantio. A literatura sobre o assunto era muito rara. Isso fez com que eu me aventurasse a escrever um livrinho falando sobre sementes: “Quanto Vale uma Semente de Árvore Nativa”, publicado pela editora da Universidade Regional de Blumenau (FURB), com o apoio da Professora e ambientalista Lucia Sevegnani.
Em 1998 ajudamos a criar a Federação de Entidades Ecologistas Catarinenses, que teve um trio feminino na primeira coordenação: Miriam Prochnow (Apremavi), Noemia Bohn (Acaprena) e Analucia Hartmann (MEL). Em 1991 a Miriam já havia deixado de ser professora para dedicar-se de corpo e alma e em tempo integral à luta em defesa do meio ambiente. Participamos do Fórum Catarinense de ONGs e Movimentos Sociais e do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais, criados para articular a participação das ONGs e promover o debate prévio das questões ambientais que seriam discutidas na Eco-Rio 92, a maior conferência mundial sobre meio ambiente já realizada. As mudas produzidas pela Apremavi fizerem sucesso na exposição do Fórum Global realizada no Aterro do Flamengo.
A luta ambientalista já havia nos custado diversas ameaças de morte. Nossa casa em Ibirama fora arrombada quatro vezes, minha situação funcional no Banco do Brasil não estava lá uma maravilha. Afinal, os “principais” clientes do Banco eram os madeireiros, os feculeiros e as empresas de fumo e seus fomentados. Em resumo, quase todos os principais destruidores de florestas e agressores ambientais da região.
No início de 1992 resolvemos mudar de mala e cuia para Agrolândia, para ficar um pouco mais longe das pressões e ameaças. Após uma grande briga com o Banco do Brasil, que vetou minha transferência para a cidade de Agrolândia, acabei fazendo acordo com o Banco e fui trabalhar na agência de Rio do Sul, cidade pólo da região. Foi nessa época que a Apremavi também mudou sua sede para Rio do Sul e abriu seu primeiro escritório.
E o viveirinho de fundo de quintal? Ah! Este na época já estava com umas 5 mil mudinhas, as quais couberam todas no caminhão do Ivo Knaul (funcionário da Apremavi de 1996 a 2004 - onde exerceu atividades práticas de marceneiro, carpinteiro, pedreiro, motorista e agricultor, construiu também os primeiros canteiros para as mudas. Foi durante mais de 10 anos, responsável pelas construções das estufas e instalação da irrigação do viveiro) e foram levadas para um terreninho que nós havíamos comprado em Alto Dona Luiza, município de Atalanta.
Apesar de morarmos em Agrolândia, a 14 km do viveiro, demos um jeito de cuidar das mudas nas primeiras semanas. Depois disso, convidamos o Mauri (funcionário da Apremavi desde 1996, tendo saído e voltado algumas vezes neste período. É grande conhecedor de sementes e sabe como ninguém fazê-las germinar), juntamente com a família, a ir morar no nosso sítio e cuidar do viveiro. Com a chegada do Mauri, que sempre contava a ajuda do seu filho Calinho, o viveiro foi crescendo. A cada dia mais sementes, mais mudinhas e um ano depois já havia 18 mil mudas.
Importante dizer que o Mauri ainda hoje trabalha na Apremavi e é um grande conhecedor de sementes e do processo de produção de mudas. Sabe como ninguém a época da frutificação das principais árvores da região e sabe tudo sobre preparação de substrato, semeadura de sementes e repicagem de mudinhas nas embalagens.
Era início de 1993. A Apremavi, agora com sede em Rio do Sul e tendo participado ativamente da Rio/92, conseguira uma doação de U$ 12.000 da Threshold Foundation, para implantar um viveiro de mudas. Esses eram os recursos mais significativos que a Apremavi recebera até então. Isso aumentava muito a responsabilidade de todos na busca dos melhores resultados. Foram horas de discussão na diretoria até que finalmente decidiu-se que a Apremavi assumiria aquele que até então era um viveiro particular nosso. Começava assim, com 18 mil mudas, o viveiro da Apremavi, tendo o Bilu (Paulo Sérgio Schaefer – Foi o primeiro funcionário do Viveiro. Faleceu em acidente automobilístico em 1994) como primeiro funcionário. O Bilu, um menino de 18 anos, com a ajuda do Mauri, contribuiu muito para que o viveiro entrasse numa nova fase e começasse a crescer em quantidade de espécies e de mudas produzidas.
A partir de 1995 o viveiro, assim como a Apremavi, começam a se consolidar. Eu, que até então havia exercido um papel de coordenador e animador das atividades, ajudando principalmente nas horas de folga, finais de semana e feriados, passei a dedicar mais tempo aos trabalhos voluntários na Apremavi. Naquele ano larguei o emprego de 15 anos no Banco do Brasil, voltando a trabalhar com agricultura orgânica e, sempre que possível, ajudava na coleta de sementes, preparação de sementeiras e também no plantio de mudas em campo.
Com a ajuda de novos parceiros, o viveiro passou de 100 mil para 300 mil mudas ao ano e a Apremavi ampliou o trabalho junto à comunidade da região. Foram também inúmeras palestras e cursos sobre a importância da proteção e recuperação da Mata Atlântica, sobre matas ciliares, agricultura orgânica e enriquecimento de florestas secundárias, para alunos, professores e agricultores de toda a região. Para auxiliar nos trabalhos educativos, elaboramos uma série de vídeos e cartilhas. As mudas produzidas no viveiro também sempre foram utilizadas como uma ferramenta de educação ambiental. Em todas as atividades que a Apremavi desenvolvia elas estavam presentes.
Outro importante momento para a Apremavi e o viveiro aconteceu em 1999, quando eu a Miriam nos mudamos para Brasília e a coordenação dos trabalhos de campo foi assumida pelo Edegold (atual Presidente da Apremavi, trabalha na instituição desde agosto de 1999, coordenando os trabalhos de campo e projetos). Com a nossa saída, houve quem decretasse o fim da Apremavi e alguns até torceram por isso. Mesmo de longe, a Miriam continuou trabalhando e, com a ajuda dos diretores, funcionários e sócios, a instituição foi se consolidando cada vez mais. Em 2001 já tinha capacidade para produzir 500 mil mudas ao ano.
Em 2003, a Apremavi adquiriu um terreno de 24 hectares em Alto Dona Luiza, onde foi instalada mais uma estufa, ampliando a capacidade de produção para aproximadamente um milhão de mudas ao ano. Todo este trabalho da Apremavi só foi possível graças ao empenho e enorme boa vontade de todos os funcionários, diretores, conselheiros, sócios e amigos.
É muito importante também lembrar que ao longo desses 20 anos a Apremavi contou com o apoio de inúmeras pessoas e parceiros. Empresas como a Vitakraft (Alemanha), a Van Melle (Holanda), a Malwee, a Klabin, Supermercado Archer e a Metalúrgica Riosulense (Brasil), órgãos governamentais como o Fundo Nacional do Meio Ambiente, os Projetos Demonstrativos do Ministério do Meio Ambiente e a Prefeitura Municipal de Atalanta. Importantes apoios foram obtidos de organizações não-governamentais como a Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, a The Nature Conservancy, a Fundação Interamericana, a Damien Foundation, a Fundação Francisco, a Threshold Foundation, a Both Ends, a Fundação Oro Verde, o Bund de Heidelberg, o Rainforest Action Network, a Tides Foundation, o Global Greengrants Fund, a Fundació Natura, a Fundação Avina, entre outros.
A imprensa também tem tido um papel fundamental na divulgação da causa ambiental. As atividades da Apremavi sempre chamaram a atenção e têm circulado nas páginas dos jornais e nos noticiários de rádio e televisão.
Intercâmbios e apoios na luta por políticas públicas mais sustentáveis foram fundamentais para que no dia 22 de dezembro de 2006, pudéssemos ver no Palácio do Planalto o Presidente Lula, ao lado da Ministra Marina Silva e do Secretário de Biodiversidade e Florestas João Paulo Capobianco, sancionar a Lei da Mata Atlântica (Lei 11.428) que tramitou por mais de 14 anos no Congresso Nacional. Essa Lei abre uma nova perspectiva para o futuro da Mata Atlântica, rumo ao desmatamento zero e ao início da recuperação de pelo menos 35% do que havia em 1500.
Muitos foram os parceiros de jornada a começar pela Acaprena, a Federação de Entidades Ambientalistas Catarineneses, o Grupo Pau Campeche, o Movimento Ecológico Tubaronense, a Vida Verde, o Centro Vianei, a Rede de ONGs da Mata Atlântica, a Fundação SOS Mata Atlântica, o Instituto Socioambiental, o Grupo Ambientalista da Bahia, a Sociedade Nordestina de Ecologia, a SPVS, o Mater Natura, os Amigos da Terra e muitas outras ONGs.
Muitos destes parceiros também apoiaram os trabalhos do viveiro e foram fundamentais para o fortalecimento institucional da Apremavi nestes seus primeiros 20 anos. Quanto ao futuro da Mata Atlântica e da vida no Planeta Terra, é bom ficar atento ao noticiário e arregaçar as mangas. Nos primeiros meses de 2007, relatórios de organismos internacionais como a ONU, jornais, revistas e redes de TV, mostraram a comprovação definitiva de que o aquecimento global está em curso e é causado pelo ser humano.
Parece irônico, mas há 20 anos os loucos que criaram a Apremavi já alertavam que o desmatamento, as queimadas e o uso insustentável dos recursos naturais iriam afetar o futuro de todos. Agora, ou a sociedade muda radicalmente seu modo de utilizar e se relacionar com o planeta e os recursos naturais ou...
Bem, o resto da história do viveiro vocês vão conhecer ao longo deste livro e, aos que ainda não sabem o que fazer para enfrentar e reverter a catástrofe ambiental anunciada, recomendo uma visita ao Viveiro Jardim das Florestas...
Fonte: Apremavi
Para ver uma matéria anterior sobre a Apremavi, clique aqui.
Para saber mais sobre proteção ambiental, leia:
Título: O meio ambiente e as energias renováveis
Autor: Rodnei Vecchia
Sinopse:
A obra mostra a potencialidade do Brasil para liderar os demais países na chamada agroenergia - o agronegócio das energias renováveis (e, portanto, não poluentes) - e, dessa forma, atuar no combate ao aquecimento global. A nação brasileira concentra prerrogativas importantes para alcançar o posto de líder mundial, como o domínio da tecnologia para manejar a cana-de-açúcar, que é a melhor espécie vegetal para produzir açúcar, etanol e eletricidade, além de possuir água e terra em abundância para a produção de biocombustíveis. Para isso, o autor recorre a estudos científicos e relatos históricos, analisa-os e confronta-os a fim de diagnosticar a realidade atual e, a partir disso, orientar a sociedade.
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Leia também: Como consumir sem descuidar o meio ambiente
Autor: Siân Berry
Sinopse:
Este livro pretende ensinar como as pessoas devem adaptar seus hábitos e o que devem mudar no comportamento para combater o aquecimento global e outros danos ao meio ambiente. Neste volume, Siân Berry explica como escolher produtos que agridem menos a natureza, como consumir sem desperdiçar e sem comprometer a qualidade e o custo dos produtos, e como ter uma atitude mais ecológica no supermercado e na hora de comprar presentes.
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