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Projeto Vênus (1)... uma utopia?
 
Autor(a): Editorial Luz & Terra

Jacque Fresco é um projetista industrial, autor, palestrante, futurista, inventor, engenheiro social e criador do Projeto Vênus. Fresco tem trabalhado como projetista e inventor em uma ampla gama de áreas, desde inovações biomédicas a sistemas sociais integrados. Ele acredita que suas ideias beneficiariam o maior número de pessoas.

Com sua companheira, Roxanne Meadows, deu início ao Projeto Vênus em meados da década de 1970. O Projeto Vênus é uma organização que propõe um plano de ação plausível para a mudança social, um plano que trabalha em prol de uma civilização global pacífica e sustentável. Ele delineia uma alternativa ao esforço para se buscar um lugar onde os direitos humanos já não sejam proclamações no papel, mas um modo de vida.

O Projeto opera a partir de um Centro de Pesquisas que ocupa uma área de 21,5 acres, em Vênus, Flórida, Estados Unidos.

Quando se considera a enormidade dos desafios diante da sociedade hoje, podemos concluir, seguramente, que o tempo há muito já passou para reexaminarmos nossos valores, para refletirmos e avaliarmos algumas das questões e pressuposições subjacentes que temos enquanto sociedade. Esta autoanálise questiona a própria natureza do que significa ser humano, o que significa ser um membro de uma “civilização” e que opções podemos tomar hoje para garantir um futuro próspero para todos os povos do mundo.

Hoje as alternativas são poucas. As respostas do passado já não são relevantes. Ou continuamos como estamos, com nossos costumes sociais e hábitos de pensamento obsoletos, e nesse caso nosso futuro estará ameaçado, ou podemos aplicar um conjunto mais apropriado de valores relevantes a uma sociedade emergente.

A experiência nos diz que o comportamento humano pode ser modificado, seja para uma atividade construtiva ou destrutiva. É disso que o Projeto Vênus trata – de direcionar nossa tecnologia e recursos para o positivo, para o máximo benefício das pessoas e do planeta e buscando novas formas de pensar e viver que enfatizem e celebrem o imenso potencial do espírito humano. Nós temos as ferramentas para projetar – e construir – um futuro digno do potencial humano. O Projeto Vênus apresenta uma nova e corajosa direção para a humanidade que envolve nada menos que o total replanejamento de nossa cultura. O que segue não é uma tentativa de prever o que será feito – apenas o que pode ser feito. A responsabilidade pelo nosso futuro está em nossas mãos e depende apenas das decisões que tomarmos hoje. O maior recurso disponível hoje é nossa engenhosidade.  




Enquanto reformadores sociais e pensadores formulam estratégias que tratam apenas de sintomas superficiais, sem tocar no funcionamento social básico, o Projeto Vênus aborda esses problemas de um modo bastante diferente. Achamos que não podemos eliminar esses problemas dentro da estrutura da presente situação política e monetária. Seriam necessários muitos anos para alcançar qualquer mudança significativa. Muito provavelmente elas se enfraqueceriam e diluiriam a ponto de as mudanças parecerem indistinguíveis.

O Projeto Vênus defende uma visão alternativa para uma nova civilização mundial sustentável diferente de qualquer sistema social que já existiu. Embora esta descrição seja altamente condensada, ela se baseia em anos de estudos e pesquisas experimentais por muitas e muitas pessoas de diferentes áreas científicas.

O Projeto Venus propõe uma nova abordagem, dedicada a preocupações humanas e ambientais. É uma visão alcançável de um futuro brilhante e melhor, apropriado ao tempo em que vivemos, e igualmente prática e factível para um futuro positivo para todos os povos do mundo.

O Projeto Vênus exige uma abordagem direta para redesenhar uma cultura na qual as antigas inadequações da guerra, pobreza, fome, dívida, degradação ambiental e sofrimento humano desnecessário são vistos não apenas como evitáveis, mas totalmente inaceitáveis.

Uma das premissas básicas do Projeto Vênus é que trabalha no sentido de que todos os recursos da Terra sejam uma herança comum a todos os povos do mundo. Qualquer coisa menos que isso resultaria simplesmente na continuidade do mesmo catálogo de problemas inerente ao atual sistema.

Ao longo da história, as mudanças têm sido lentas. Grupos consecutivos de líderes incompetentes têm substituído os anteriores, mas os problemas sociais e econômicos subjacentes permanecem porque os sistemas de valor básicos não foram alterados. Os problemas com que nos deparamos hoje não podem ser solucionados política ou financeiramente, porque eles são altamente técnicos em sua natureza. Talvez nem haja dinheiro suficiente para pagar pelas mudanças necessárias, mas há recursos mais que suficientes. É por isso que o Projeto Vênus defende a transição de uma sociedade baseada no dinheiro à realização final de uma economia global baseada em recursos.

Temos consciência de que a transição de nossa atual cultura, que é politicamente incompetente, voltada para a escassez e obsoleta para esta nova sociedade mais humana exigirá um salto quântico tanto em termos de pensamento quanto de ação.



Um sistema monetário obsoleto


O sistema baseado em dinheiro se desenvolveu séculos atrás. Todos os sistemas econômicos do mundo – socialismo, comunismo, fascismo e até mesmo o alardeado sistema de livre iniciativa – perpetuam a estratificação social, o elitismo, o nacionalismo e o racismo, que se baseiam principalmente na disparidade econômica. Enquanto um sistema social utilizar o dinheiro ou o escambo, as pessoas e nações procurarão manter a margem de competitividade econômica ou, se não puderem fazê-lo por meio do comércio, farão pela intervenção militar. Nós ainda utilizamos os mesmos métodos obsoletos.

Nosso atual sistema monetário não é capaz de prover um alto padrão de vida para todos nem pode garantir a proteção do meio ambiente porque sua principal motivação é o lucro. Estratégias como o downsizing e “dumping tóxico” aumentam a margem de lucro. Com o advento da automação, da cibernética, da inteligência artificial e da terceirização, haverá uma substituição cada vez maior das pessoas por máquinas. Em consequência disso, menos pessoas serão capazes de adquirir bens e serviços apesar de nossa capacidade de produzir abundância continuar a existir.

Nossos atuais sistemas politicos e econômicos obsoletos são incapazes de aplicar os reais benefícios da tecnologia inovadora de hoje para alcançar o maior bem para todas as pessoas e para superar as injustiças impostas a tantos. Nossa tecnologia corre para frente enquanto nossas configurações sociais permaneceram relativamente estáticas. Em outras palavras, a mudança cultural não acompanhou a mudança tecnológica. Nós agora temos os meios para produzir bens e serviços em abundância para todos.

Infelizmente, a ciência e a tecnologia hoje se desviaram da realização do bem maior em virtude do interesse próprio e do ganho monetário por meio de uma obsolescência planejada conhecida, muitas vezes, como retirada consciente da eficiência. Por exemplo, o Departamento Norte-Americano de Agricultura, cuja função presume-se ser a condução de pesquisas para encontrar meios de obter maiores safras por acre, na verdade paga os fazendeiros para não produzirem em capacidade total. O sistema monetário tende a refrear a aplicação desses métodos que sabemos que serviriam melhor aos interesses das pessoas e do meio ambiente.



Em um sistema monetário, o poder de compra não está relacionado com nossa capacidade de produzir bens e serviços. Por exemplo, durante uma depressão há computadores e DVDs nas prateleiras e automóveis em concessionárias, mas a maioria das pessoas não tem poder de compra para adquiri-los. A terra ainda é o mesmo lugar; somente as regras do jogo é que são obsoletas e criam dificuldades, privações e sofrimento humano desnecessário.

O sistema monetário foi desenvolvido anos atrás como instrumento para controlar o comportamento humano em um ambiente com recursos limitados. Hoje o dinheiro é usado para regular a economia não para o benefício das pessoas de modo geral, mas para o daqueles que controlam a riqueza financeira das nações.


Economia baseada em recursos

Todos os sistemas sociais, independentemente de sua filosofia política, crenças religiosas ou costumes sociais, dependem basicamente dos recursos naturais, isto é, ar puro, água, terra arável, a necessária  tecnologia e pessoal para manter um alto padrão de vida.

Sendo simples, uma economia baseada em recursos utiliza recursos existentes em vez de dinheiro e oferece um método justo de distribuição desses recursos da maneira mais eficiente a toda a população. É um sistema no qual todos os bens e serviços estão disponíveis sem o uso de dinheiro, crédito, escambo ou qualquer outra forma de dívida ou servidão.

A Terra tem recursos em abundância; nossa atual prática de racionar os recursos através de métodos monetários é irrelevante e contraprodutiva para nossa sobrevivência. A sociedade moderna tem acesso a tecnologias altamente avançadas e pode disponibilizar alimentos, vestuário, moradia, atendimento médico, um sistema educacional relevante e desenvolver uma ilimitada oferta de energia renovável e limpa, como a geotérmica, solar, eólica, de marés etc. Hoje é possível que todos desfrutem de um alto padrão de vida com todos os confortos que uma civilização próspera pode oferecer. Isto pode ser realizado por meio de uma aplicação inteligente e humana da ciência e tecnologia.

Para melhor compreender o significado de uma economia baseada em recursos, pense no seguinte: se todo o dinheiro do mundo fosse destruído, mas as terras e fábricas e outros recursos permanecessem intactos, nós poderíamos construir qualquer coisa que quiséssemos e atender a qualquer necessidade humana. Não é de dinheiro que as pessoas precisam; antes, é livre acesso às necessidades da vida. Numa economia baseada em recursos, o dinheiro seria irrelevante. Tudo o que seria necessário são os recursos e a fabricação e distribuição dos produtos.



Se a educação e os recursos estivessem disponíveis a todas as pessoas sem uma etiqueta de preço, não haveria limite ao potencial humano. Embora isso seja difícil de imaginar, mesmo a pessoa mais rica estaria em situação muito melhor em uma sociedade baseada em recursos como esta proposta pelo Projeto Vênus. Hoje as classes médias vivem muito melhor do que os reis do passado. Numa economia baseada em recursos, todos viveriam melhor do que os mais ricos de hoje.

Nessa sociedade, a medida do sucesso estaria baseada na realização das buscas individuais de uma pessoa, em vez de na aquisição de riqueza, propriedade e poder.


Cabe a nós escolher

O comportamento humano está sujeito às mesmas leis de qualquer outro fenômeno natural. Nossos costumes, comportamentos e valores são subprodutos de nossa cultura. Ninguém nasce ganancioso, preconceituoso, intolerante, patriota ou cheio de ódio; todos esses padrões de comportamento são aprendidos. Se o ambiente for inalterado, comportamentos similares ocorrerão.

Boa parte da tecnologia necessária para produzir uma economia baseada em recursos em nível global já existe hoje. Se optarmos por nos conformar às limitações de nossa atual economia baseada em dinheiro, muito provavelmente continuaremos a conviver com suas consequências inevitáveis: guerra, pobreza, fome, privação, crime, ignorância, estresse, medo e injustiça. Por outro lado, se abraçarmos o conceito de economia baseada em recursos, aprendermos mais sobre ela e partilharmos nosso entendimento com nossos amigos, isso ajudará a humanidade a evoluir e sair de seu estado atual.

Tradução de www.pedraderoseta.com.br

Na próxima edição da revista Luz & Terra você vai conhecer os objetivos e propostas do Projeto Vênus.



Projeto Vênus: palestra em Londres (parte 1/2)


The Venus Project London Lecture - October 2009 - Part 1 of 2 from The Zeitgeist Movement on Vimeo.

 

Projeto Vênus: palestra em Londres (parte 2/2)

The Venus Project London Lecture - October 2009 - Part 2 of 2 from The Zeitgeist Movement on Vimeo.

Peter Joseph: "Para onde vamos?" (parte 1/2)

Peter Joseph: "Where are we going?" Nov. 15th '09 1/2 from Peter Joseph on Vimeo.

 

Peter Joseph: "Para onde vamos?" (parte 2/2)

Peter Joseph: "Where are we going?" Nov. 15th '09 | 2/2 from Peter Joseph on Vimeo.

 
Data: 05/02/2010
 
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