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Do capitalismo e seus desdobramentos
 
Autor(a): Caio Garrido

Aqui é: “capitalismo selvagem”.

Frase proferida alguns anos atrás por executivos que me contrataram para um novo trabalho em um grande grupo empresarial.

 Estas duas simples e poderosas palavras foram fonemas significantes que ficaram ecoando em minha cabeça por muito tempo.

Determinado em minha falsa selvageria, acreditava eu, que poderia dar uma volta na realidade. Encostei essa frase e seu significado em um canto de minha mente e deixei-a lá, como um conto que nasce morto por não se desenvolver de forma criativa.

É óbvio que não preciso contar a história inteira dos fatos para mostrar como continuou e terminou.

O capitalismo como essência econômica e de direção social é moeda corrente de vida na maioria dos países e comunidades humanas.

Segundo a Wikipédia, “Capitalismo é um sistema econômico caracterizado pela propriedade privada dos meios de produção e pela existência de mercados livres. Na historiografia ocidental, a ascensão do capitalismo é comumente associada ao ocaso do feudalismo, ocorrido na Europa no final da Idade Média. Outras condições comumente associadas ao capitalismo são: a presença de agentes que investem em troca de um lucro futuro; o respeito a leis e contratos; a existência de financiamento, moeda e juro; a ocupação de trabalhadores segundo um mercado de trabalho”.
Mas capitalismo selvagem é algo mais forte, não? É algo caracterizado por intensa competição e destronamento do mais fraco. É o Valorizar o Analisar do que você vai obter em troca de qualquer e toda ação que você fizer: “Qual é o ganho disso, daquilo?” Isso tudo é o “darwinismo social”  no qual estamos vivendo nos dias de hoje.

E o que acontece especificamente no Brasil pode ser considerado um reflexo e também origem do que acontece no restante do mundo. Numa entrevista, Júlio Chiavenato, escritor, argumentava muito bem sobre isso. Segundo ele “o desenvolvimento da economia local e suas interligações ocorrem de forma anárquica”. Diz ainda que “no Brasil, faltam anarquistas e sobra anarquia”. “Ganhar dinheiro, faturar e ficar rico. De forma geral, essa é a visão que todo mundo tem.”

Um dos conceitos mais utilizados por Karl Marx era o da mais-valia. “Mais-valia é o nome dado por Karl Marx à diferença entre o valor produzido pelo trabalho e o salário pago ao trabalhador, que seria a base do lucro no sistema capitalista” (Wikipédia).

Em uma conferência, a psicanalista Maria Rita Kehl comenta sobre a “mais-valia”: “O trabalhador comum acaba recebendo apenas uma parcela do que lhe é devido em um dia de oito horas puxadas de trabalho. O tempo do trabalho que virtualmente não é pago pelo empregador, é o tempo de trabalho que é recebido diretamente pelo capitalista, sem que o empregado “saiba” que está trabalhando esse tempo a mais sem ganhar, isto é, está doando seu tempo.”

A pergunta insaciável e fermentante que deixo aqui é:
Qual é a origem do atual darwinismo social?
É fruto do passado histórico-econômico capitalista?
É resultado da natureza “agressiva” e instintual do ser humano?
Ou é produto do crescimento populacional desvairado?
Creio que é um pouco de cada uma dessas possíveis assertivas.

Mas vamos desorganizar e depois organizar um pouco nossos argumentos e pensamentos para chegarmos em alguma coisa mais palpável.


Da natureza humana e a história


A História sempre foi prenhe da existência da relação entre exploradores e explorados. Desde que o mundo é mundo, a “ave devora o gafanhoto”…

A inclinação natural humana de explorar vem da necessidade intrínseca de poder e soberania sobre o outro; Vem desde os tempos do “pão e circo”, dos tempos das avolumadas perdas de vidas em guerras em prol de um clã viciado em gerar riqueza e conquistar territórios…

De vários tempos, da Idade Antiga à Idade Média, até os dias de hoje, em torno do jogo da construção da civilização, o homem moldou seus aspectos econômicos e sociais de forma política. Uma certa política de sobrevivência, mesmo quando se fizesse parte do elo mais fraco.

Se fôssemos pesquisar, poderíamos ver indícios de conceitos como o da mais-valia já nos “povos antigos”.

Como exemplo, veríamos a prática secular dos povos andinos de encontrar virtude e satisfação no que podemos chamar de “trabalho significativo”, e comemorar isso na morte. Só que a ignorância cadavérica destas pessoas inseridas em tal cultura não viam o quadro total da coisa, obviamente…

Os espanhóis, que conquistaram territórios incas, diziam: “Não se tolerava ninguém que fosse preguiçoso ou que tentasse viver do trabalho alheio; todos precisavam trabalhar”.

Do livro Civilizações perdidas; o Império Inca”, extraí o seguinte trecho útil à nossa reflexão: “Os soberanos incas logo aprenderam a tirar partido daquela ética de trabalho aceita por todos. Suas ambições imperiais exigiam que houvesse, abaixo da nobreza, uma classe de cidadãos capazes e com vontade de arrancar das montanhas e do deserto os meios para alimentar não só a si mesmos, mas também para suprir uma instituição religiosa que consumia enormes recursos e uma casta superior dedicada a construir uma cultura refinada.”

Tudo isso e muito mais forjava um falso laço entre os súditos e o império.

Mudando um pouco a rota , mas não tanto, Darwin já nos chamava a atenção há muito tempo por suas pesquisas e fatos científicos que indicavam a seleção do mais apto. Ele deu o nome de seleção natural ou de persistência do mais apto à conservação das diferenças e das variações individuais favoráveis e à eliminação das variações nocivas.

Para ele, a natureza e suas espécies sempre se desenvolveram através da seleção do mais apto. Diz Darwin, em A origem das espécies: “Os descendentes terão, por si mesmos, em virtude deste fato, maior probabilidade em persistir; porque, dos indivíduos de uma espécie nascidos periodicamente, um pequeno número pode sobreviver.” Diz ainda: “De Candolle, o velho, e Lyell demonstraram, com a sua habitual perspicácia, que todos os seres organizados têm que sustentar uma terrível concorrência.” “A luta pela existência resulta inevitavelmente da rapidez com que todos os seres organizados tendem a multiplicar-se.

Mais asserções de Darwin são postas a seguir: “Não há exceção nenhuma à regra que se todo o ser organizado se multiplicasse naturalmente com tanta rapidez, e não fosse destruído, a Terra em breve seria coberta pela descendência de um só par.”

“Podemos, pois, afirmar, sem receio de engano, que todas as plantas e todos os animais tendem a multiplicar-se segundo uma progressão geométrica; ora, esta tendência deve ser reprimida pela destruição de indivíduos em certos períodos da vida, porque, de outra maneira, invadiriam todos os países e não poderiam subsistir.”

“É necessário não esquecer que cada ser organizado se esforça sempre por multiplicar-se; que cada um deles sustenta uma luta durante um certo período da sua existência; que os novos e os velhos estão inevitavelmente expostos a uma destruição incessante, quer durante cada geração, quer em certos intervalos. Quando um desses obstáculos acaba por afrouxar, ou a destruição pára por pouco que seja, o número dos indivíduos de uma espécie sobe rapidamente a uma conta considerável.”

Dessas afirmações de Darwin, e da realidade social atual, pode-se refletir e pensar acerca do extra-crescimento populacional verificado hoje em todo o mundo, e que tal crescimento acontece em detrimento e prejuízo extremo de uma melhor qualidade de vida, isto é, implicando um empobrecimento atroz do nível de alimentação, acesso à cultura, à moradia, e a outras dezenas de fatores necessários a uma mínima qualidade de vida.

A falibilidade do ser humano na Terra, e sua atual expectativa de que algo ocorra de inevitável autodestruição, seja pelo clima, seja por uma guerra, ou por outro fator, talvez seja o indício da natureza e seu “trabalho” de variação das espécies, no intuito de deixar uma ordem variada. Isso não é o que acontece no momento, pois atualmente vive-se a penosa extinção de inúmeras espécies por intervenção do ser humano no ambiente.

Edward Osborne Wilson, biólogo renomado internacionalmente, acrescenta muito a essa questão, e com muito respeito à nossa humanidade, estabelece uma excelente correlação entre os efeitos e consequências do capitalismo e da globalização na atividade humana e na natureza:

Com o aumento da globalização, do comércio e das viagens internacionais, aumenta também a difusão das espécies “estrangeiras/forasteiras”, inteiramente como resultado da atividade humana. Todos os países são hospedeiros, em geral inconscientemente, de uma multidão desses seres invasores, uma maré que só tende a aumentar". Quanto às consequências dessas invasões crescentemente sistemáticas, todas são terríveis: pragas agrícolas, agentes exóticos de doenças humanas, prejuízos incontáveis, extinção de espécies nativas e, a mais séria de todas, a ‘homogeneização da biosfera’, ou seja, a destruição do maior patrimônio da natureza: a sua diversidade.

A reflexão continua por mares turbulentos, e Wilson resgata aspectos necessários à preservação da vida no planeta e “sabe equilibrar os péssimos prognósticos”:

os cientistas estimam que, se a conversão dos habitats naturais e outras atividades humanas destrutivas prosseguirem no ritmo atual, metade das espécies de plantas e animais da Terra pode desaparecer, ou, pelo menos, estará fadada à extinção precoce até o final deste século" - à inesperada visão dos pormenores de uma realidade que, infelizmente, ninguém jamais nos ensinou a observar: "a voraz lagarta de uma obscura mariposa da América tropical já salvou as pastagens da Austrália do excesso de cactos"; "um ‘matinho' de Madagascar, a pervinca rosada, forneceu os alcalóides que curam a maioria dos casos da doença de Hodgkin e de leucemia infantil"; a "substância derivada de um obscuro fungo da Noruega possibilitou realizar os transplantes de órgãos" - e, dentre inúmeros outros exemplos, uma maravilhosa substância encontrada na saliva das sanguessugas, a partir da qual "foi feito um solvente que evita a coagulação do sangue durante e após as cirurgias.

 Voltando à questão da seleção natural na civilização moderna, a tal “seleção” dos mais aptos acontece (quando acontece) principalmente por motivo econômico. Isto é, se algum indivíduo nascer em um ambiente não propício à sua contínua sobrevivência, fatalmente sucumbirá a algum mal que vai impedi-lo de continuar vivo, vide a alta taxa de mortalidade em comunidades pobres e miseráveis no mundo.

Ora, se a seleção natural que se dá no meio humano nos dias de hoje é principalmente de ordem hereditário-econômica, é certo que há um viés que não é, de forma alguma, da natureza propriamente dita, e sim de origem totalmente casual, ou seja, se uma pessoa terá mais chance de sobrevivência (ou de uma melhor sobrevivência) ou não, será determinado pelo local geográfico onde irá nascer, pela família e pela estrutura econômica e social em que esta família estará inserida. Essa conclusão coaduna com a ideia de que o passado e presente sistema capitalista ajuda a causar, sem sombra de dúvidas, o atual darwinismo social.

Esse viés, autenticado no parágrafo anterior, nos remete à questão de que: o que facilita esse assustador crescimento populacional é o que facilita também sua própria autoexecução. Em outras palavras, podemos admitir que os fatores que ajudam o ser humano a se multiplicar, que foram com o passar dos tempos melhorados pela ciência e a tecnologia – como a sobrevida, a melhora na saúde, o conforto – são os mesmos fatores que geram a ganância e o desejo irrefreável. E aí cabe perguntar: Não é esse mesmo desejo humano canalizado em substituição de desejos arcaicos e imperiosos dos instintos e suas pulsões?

O humano, por seu instinto conservador, às vezes se desvia ou ignora a verdadeira realidade. Uma dessas óbvias verdades é que a morte é o fim derradeiro. Mas parece haver um consenso dissimulado na sociedade em tentar despistar a morte de toda forma, até mesmo congelando o corpo depois da morte, na tentativa de se prolongar a vida, quando através dos avanços da tecnologia, for possível um remanejamento e reemanação da vida neste corpo, antes morto e petrificado.

Mas isso faz parte do instinto de conservação ou é mero capricho humano?

Para não fazer uma digressão desnecessária em nosso caminho de argumentação, chamamos Freud, que sempre abriu portas com suas descobertas, e nisso pode nos ajudar. Em um dos seus melhores livros, Além do princípio do prazer, diz ele sobre os instintos de autoconservação: “Trata-se de instintos componentes cuja função é garantir que o organismo seguirá seu próprio caminho para a morte, e afastar todos os modos possíveis de retornar a existência inorgânica que não sejam os imanentes ao próprio organismo.” Diz ainda que o organismo deseja morrer apenas do seu próprio modo, isto é, de que a morte seja a mais natural possível e que, assim sendo, o indivíduo contribuirá consciente e inconscientemente para prolongar sua vida com o máximo de empenho possível (motivado pelos instintos de vida e de conservação).

Pensando em tudo isso e mais um pouco, seria normal acreditar que todo esse empenho em torno de prolongar a vida é natural do ser humano. Tal como isto, seria normal afirmar também que toda essa valência na busca da satisfação dos desejos faz parte da nossa natureza.  E tal natureza nos compele à extrema competição.

Das causas econômico-históricas

Emito aqui meu ponto de vista acerca de que a insalubridade a que estamos expostos é de ordem causal do capitalismo e da natureza humana. A diretiva midiática e social é sempre a de que se necessita fazer e expandir capital a qualquer custo. Há necessidade constante de crescimento econômico. Isso fatalmente decapita nossa vontade individual, para que seja vivida a vontade dos donos do poder e do capital.

Exemplificando: Há na atualidade uma busca insaciável de aumento da “expectativa de vida” a qualquer custo, a eterna busca de “imortalidade”. Vemos isso claramente nas classes sociais mais ricas. Isso gera uma possível oportunidade de ganhar dinheiro, e é a partir daí que os donos do capital darão as cartas. Cartas marcadas, certamente… E eles já são os próprios coringas. É justamente um ciclo vicioso gigante… “Tostines vende mais porque é fresquinho, ou é fresquinho porque vende mais?”

“O capitalismo trouxe a ideia de que o capital é Deus, como resposta à angústia do devir.”

Vamos girar um pouco o caleidoscópio das versões científicas da patologia contemporânea.

Karl Marx, geralmente considerado o homem que pretendia haver criado o socialismo científico, filosofava e buscava indícios científicos sobre o que chamou de “materialismo dialético”. Segundo Karl Marx, “as relações sociais são inteiramente interligadas às forças produtivas. Adquirindo novas forças produtivas, e se os homens modificam o seu modo de produção, a maneira de ganhar a vida, modificam todas as relações sociais.”

Segundo Bertrand Russel, em seu livro História da filosofia ocidental, diz que, “para Marx, a força propulsora é realmente a relação do homem com a matéria, da qual a parte mais importante é o seu modo de produção”.

“Hegel considerava as nações como veículos do movimento dialético; Marx as substituiu por classes.”

O caminho da economia e da evolução social na nossa contemporaneidade tomou a direção para uma diferenciação complexa e maior das classes sociais. Não existe aspecto evolutivo nesse sentido de “evolução” para a sociedade atual. Há somente uma variável de encontro-desencontro dialético-sintético-antítese da riqueza, que é muito mal distribuída.
Marx acreditava que “sob o capitalismo, somos alienados, ou seja, somos separados de aspectos da nossa natureza humana”.

Eu acrescentaria em cima disso que o sistema econômico-social em que estamos ancorados nos divorcia dos aspectos BONS da nossa natureza. Pois os aspectos ruins ficam mais fáceis de aparecer em tal estado de coisas. Certamente a complexidade do mundo atual nos afasta e distancia de aspectos inerentes a nós.

Vale, então, combater o capitalismo como fizeram os socialistas e os comunistas, ou isso é brincadeira de criança, tão infantil quanto aquele ditado: “Liberdade, Igualdade, e Fraternidade”? Pois somos todos muito diferentes uns dos outros. O ser humano em sua individualidade (Um indivíduo) abarca uma série de identidades e identificações das características mais diversas possíveis. É um erro stalinizador a utopia de igualdade econômica, social. Os homens em suas essências desejantes, querem e desejam coisas diferentes, paradoxais, antagônicas, e que moldam, por exemplo, a variedade cultural que temos hoje. Cada um tem seu dom, sua capacidade, suas qualidades, suas peculiaridades, e é impossível interpretar o desejo de forma unívoca. Caíram de maduro todas as tentativas de se mudar o mundo e de se transformar ”O Mudar o Mundo” a partir de pensamentos utópicos. Porque Utopia envolve um desejo de perfeição, fato deveras neurotizante.

A sociedade se ergue e se “organiza” de forma caótica, imperfeita e imprevisível. Assim como a vida.

Do super crescimento populacional e crescimento econômico e mais variáveis humanas

Podemos dizer que o crescimento populacional caótico é prejudicial a qualquer tentativa de evolução social.
Em virtude do pensamento capitalista marcante da atualidade, todos os perigos decorrentes disto se potencializam, criando um estado febril de sociedade, que tem medo da própria sombra e do abismo que pode quedar a qualquer momento. E já estamos caindo.

Não só o crescimento populacional, mas também o crescimento econômico é um lema que está muito em voga hoje. É preciso crescer, indefinidamente. Este movimento, ora estadista, ora sadista, acaba por nos levar a uma medíocre existência, e revela-nos a falsa compreensão que temos de um mundo que deveria estar organizado em torno de uma melhor sobrevivência, em torno de uma ampliação da qualidade de vida como um todo.

As pessoas adoecem pelo capitalismo, pelo consumismo.

E do capitalismo, de seus encantos e desencantos, forma-se um novelo de desejos infindáveis. Pois o que move o capital, nada mais é que o desejo humano. E o Desejo em sua forma original, é a matriz simbólica das emoções.

Toda pessoa investe parte de seu ego nos objetos. E o que traciona o movimento de um indivíduo em direção a um objeto de consumo é a eleição por parte deste sujeito, de uma forma que tal eleição de objeto seja realizada em pró de uma defesa psicológica. É o velho mecanismo de defesa utilizado pela neurose para soterrar e estacionar os verdadeiros significados da vida. Uma defesa contra a angústia. A angústia do devir.

O cenário do consumo maciço de carros hoje em dia é um belo exemplo de como isso funciona. É assustador ver os resultados ocasionados pela poluição. Isso tudo é uma crítica na qual me incluo. Não estou separado do mundo que estou descrevendo.

O que verdadeiramente nos importa nesta discussão em torno dos objetos de consumo, exemplificando os carros, é a busca incessante de um objeto ideal. A sociedade não vê mais o carro como um meio e sim o vê como um Fim. Busca-se uma Potência que possa ser simbolizada por determinado objeto de consumo.

A sociedade está fundada e ancorada em uma estrutura capitalista e consumista. Mas é preciso algum tipo de reestruturação psicológica, mental, espiritual nas pessoas, em direção a novos “campos” de existência, para que a sociedade não afunde junto à estrutura.

Tanto uma utópica transformação radical, quanto uma estagnação na mudança da sociedade, pode ser destruidor. Por tudo estar interligado ao consumo, nossa sobrevivência também está ligada a isso. O único caminho plausível é a consciência e senso crítico de cada um.  

O bom caminho na maioria das vezes é o Caminho do Meio.

Mas podemos refletir e ver que realmente há uma profunda correlação entre a natureza humana, o crescimento populacional assustador e o sistema econômico vigente. Isso tudo reflete o caráter humanístico da atualidade, com toda a calamidade em que vivemos.

Conclusão

Há conclusão?
Posso sim concluir, mas de outra maneira, não tão usual.
Para dar um sentido anticapitalista ao meu texto, irei dispor a seguir de algo que não pode ser etiquetado.
Vou fechar este ponto sem nó, através de um trecho do Livro:

“O Budismo não é o que você pensa” de Steve Hagen.
No capítulo “A Coisa mais Valiosa no Mundo” ele nos conta:

“Um estudante se aproximou do mestre Zen Ts’ao-shan e perguntou, “Qual a coisa mais valiosa no mundo?”
Ts’ao-shan respondeu, “A cabeça de um gato morto”.
“Porque a cabeça de um gato morto é a coisa mais valiosa no mundo?”, perguntou o estudante.
“Porque ninguém pode dizer seu preço”, disse Ts’ao-shan.
Ai daqueles que entre nós que sabemos o preço das coisas, pois passamos pela vida avaliando tudo. Colocamos tudo e todos os acontecimentos em algum tipo de balança. “Quão bom isso é?” “Serve para quê?” “O que eu posso ganhar com isso?” “O que é que traz para mim?”
Ao mesmo tempo que fazemos tudo isso, ficamos miseráveis, infelizes, carentes, ávidos, mendigos, maquinadores. Estamos insatisfeitos, no entanto não temos a menor ideia de qual é nosso problema. Não vemos nenhuma conexão entre nosso interminável avaliar e nossa recorrente infelicidade.”
…“Então qual é essa coisa mais preciosa? Não é coisa nenhuma. É este exato momento.”


 



Caio Garrido trabalha com contabilidade e área financeira, toca bateria e está cursando Formação em Psicanálise.
Blogs do Caio Garrido:
http://caiogarrido.blogspot.com/
http://www.psiqueativa.blogspot.com/
http://musicocontemporaneo.blogspot.com/



Recomendação de leitura por parte do autor:

Título: Budismo não é o que você pensa: Encontrando liberdade para além das crenças
Autor: Steve Hagen

Sinopse:
Renomado professor de Zen, Steve Hagen aborda neste livro questões essenciais e constantes acerca das técnicas propostas por Buda - como podemos ver o mundo do modo como ele surge a cada momento e não da maneira como pensamos, esperamos ou tememos que ele seja? Como podemos basear nossas ações na realidade, e não no desejo e na aversão de nossos corações e mentes? Como podemos viver vidas que sejam sábias, compassivas e em harmonia com a realidade? E como podemos separar a sabedoria do budismo daquela associada ao ornamento cultural e suas concepções errôneas? Por meio de uma linguagem simples e direta - sua marca registrada - Hagen leva a refletir sobre essas questões fundamentais, tomando como base exemplos concretos da vida cotidiana e também histórias de mestres budistas - do passado e do presente.

Nota - Para comprar o livro, clique na capa.

 

 
Data: 17/01/2010
 
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